Trabalhadores do Auto Posto Mediterrâneo de Palhoça cruzaram os braços para exigir melhores condições de trabalho e o fim das irregularidades
Só restou aos trabalhadores do Auto Posto Mediterrâneo, de Palhoça, cruzarem os braços e exigir respeito e cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e leis trabalhistas. Eles decidiram realizar uma paralisação no dia 06.06.13, a partir das 18 horas para protestar. Sem negociação no final de semana, os trabalhadores ficaram de greve até na segunda feira (09.06.14), quando houve uma audiência de conciliação na SRTE (Min. Trabalho).
Além da falta de condições de trabalho, a empresa vinha cometendo inúmeras irregularidades tais como o não pagamento das horas extras, não vem fornecendo uniformes, não pagamento correto da quebra de caixa sobre a periculosidade, não pagamento correto de feriados entre outros absurdos.
Assédio Moral
Além de prejudicar os trabalhadores não cumprindo as leis e a CCT, a empresa, através das chefias, vinha praticando atos que caracterizam assédio moral. Isso é uma afronta aos trabalhadores que prometeram recorrer á justiça para fazer valer a lei.
Fim da greve
Na noite do dia 09.06.14 os trabalhadores decidiram encerrar a paralisação. Eles aceitaram a proposta da empresa apresentada na tarde de segunda feira, em audiência de conciliação na SRTE (MIn. Trabalho). Com a presença de três representantes da empresa foi possível um acordo que levou ao fim da greve.
Além de se comprometer em corrigir algumas irregularidades, a empresa fará uma auditoria para apurar todas as denúncias relatadas pelos trabalhadores e corrigir, se necessário.
O Acordo
Eles irão rever também os cálculos dos últimos 90 dias referentes a horas extras e quebra de caixa. Se houver divergências quanto ao pagamento, tudo será corrigido e pago retroativo a 90 dias.
Os trabalhadores que receberam R$ 237,00 de quebra de caixa, por causa de um engano da contabilidade, e tiveram descontado no mês seguinte de uma só vez, terão deste valor evolvido, que posteriormente será descontado em duas vezes. "Afinal, o engano foi da empresa", ressaltou o presidente do SINFREN, Deli Muzzo.
Conquistas
A empresa fornecerá vale transporte a todos funcionários que fazem jus a este direito, com o desconto previsto em lei de 6% sobre o valor total das passagens de cada trabalhador. Além do uniforme já fornecido, a empresa se comprometeu a dar mais um jaleco e um par de calçados adequados para o frentista de pista, conforme prevê a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Quando o cliente pagar com cartão e este não tiver saldo, não será mais descontado do trabalhador, pois o risco da atividade econômica é do empregador. No caso do cheque, se o frentista observar todas as formalidades previstas na CCT, ele não pagará nada caso o cheque do cliente não tenha fundos. Também não será mais descontado dos trabalhadores os produtos do estoque em que os clientes tenham acesso.
Apuração das denúncias
As denúncias de assédio moral praticadas pela sub gerencia serão todas apuradas. Para isso o chefe imediato ficará afastado por dez dias para a empresa utilizar do contraditório e de ampla defesa, ou seja, os trabalhadores serão ouvidos para fins de veracidade dos pontos levantados na pauta.
Não desconto dos dias parados e estabilidade
Ficou acordado ainda que não serão descontados os dias parados dos trabalhadores que fizeram greve, que terão também 20 dias de estabilidade. "Este período é o mínimo necessário para avaliar as irregularidades e colocar a casa em ordem", ressaltou Muzzo. Segundo ele, se neste período ocorrer mais algum desentendimento entre trabalhadores os donos e gerencia serão imediatamente comunicados para evitar que chegue no limite da tolerância dos trabalhadores.
Vitória dos trabalhadores
Na avaliação do presidente do SINFREN a manifestação dos trabalhadores foi justa e procedente, afinal as denúncias e reivindicações estavam sendo ignoradas há muito tempo pelas chefias. "Nos sentimos vitoriosos, pois foi a pressão, união e coragem dos trabalhadores que resultou numa negociações favorável aos trabalhadores, mesmo se tratando de cumprimento das lei e da CCT", avaliou Muzzo.
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